segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Pense Nisso.


Como Farmacêutico todo dia assisto (em todas as interpretações desse verbo – transitivo direto, indireto e no intransitivo também) mais de uma geração de pessoas que deixou de contar carneirinhos pra contar gotinhas de Rivotril. Por isso quero dividir uma coisa com vocês. 

Eu estava procurando artigos quando me deparei com o estudo de uma enfermeira australiana, chamada Bronnie Ware, ela trabalhava com cuidados paliativos em pacientes terminais, bem ela teve a idéia de catalogar os cinco maiores arrependimentos de quem está morrendo, o que gerou, essa lista:
1. Queria não ter trabalhado tanto.
2. Queria ter tido mais contato com meus amigos. 
3. Queria ter me permitido ser mais feliz. 
4. Queria ter tido a coragem de expressar meu verdadeiro eu.
5. Queria ter vivido uma vida fiel aos meus sonhos, em vez de fazer o que os outros esperavam de mim.

Achei interessante e resolvi pesquisar um pouco mais (tenho esse problema), bem descobri o chamado crescimento pós-traumático, que é algo sobre o qual normalmente não ouvimos falar muito. Geralmente a gente ouve falar só sobre a desordem do stress pós-traumático. Aqui estão as cinco coisas mais frequentes que as pessoas com crescimento pós-traumático dizem:
1. Minhas prioridades mudaram. Não tenho medo de fazer o que me faz feliz. 
2. Me sinto mais próximo dos meus amigos e da minha família. 
3. Me entendo melhor. Sei quem eu realmente sou agora. 
4. Dei um novo sentido e um novo propósito a minha vida. 
5. Sou mais capaz de focar nos meus objetivos e sonhos.

Isso soa familiar? Deveria, pois as cinco características no topo da lista do crescimento pós-traumático são essencialmente o oposto direto dos cinco maiores arrependimentos dos que estão no leito de morte. Isso leva pensar, não é mesmo? Parece que, de alguma forma, um evento traumático pode liberar nossa habilidade de levar uma vida mais feliz.

Se um evento traumático não nos condena necessariamente a sofrer indefinidamente e, ao invés disso, nós podemos usá-lo como um trampolim para liberar nossas melhores qualidades e nos conduzir a uma vida mais feliz. Será que todos nós e nossos pacientes, não seriamos capazes de fazer isso por conta própria e sem a ajuda de medicamentos? 

Pensem nisso antes de resolver tomar um medicamento pra dormir e outro para acordar, antes de resolver usar antidepressivos e estimulantes ao mesmo tempo, e antes de usar ou recomendar um medicamento. 

O caminho para a felicidade não está em nenhuma fórmula ou forma farmacêutica já inventada, esse caminho passa primeiro pelo auto conhecimento.

Pense nisso. 
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